Após seu sucesso momentâneo em 2020 com o smash hit “Moral Of The Story”, Ashe ficou determinada em trazer o indie pop para destaque em sua carreira, mesmo que a própria não esteja em grandes momentos. Com isso, iniciou a trilogia que tem seu nome, Ashlyn Rae Willson, totalmente focada no gênero, e hoje, iremos analisar a terceira vertente: Willson. Lançado no dia 6 de Setembro de 2024, o terceiro álbum de estúdio da cantora trouxe mais 12 faixas (com uma faixa adicional nas mídias físicas) e o fechamento da trilogia que tinha começado com uma música “boba” e inocente.
O lead single, lançado em junho de 2024, “Running Out Of Time”, se destaca como uma das melhores, se não a melhor música da discografia de Ashe, com um ritmo contagiante e uma letra leve, a cantora traz um ar de desespero feliz, que poucas músicas conseguem trazer hoje em dia sem cair no lamuriante. Em trechos como “So, I cut my hair, even though I knew better than that”, a cantora mostra que está apenas vivendo pelo momento e nada mais, movida por um sentimento de finalização de um ciclo, tal como Willson é para a trilogia.
Entretanto, o segundo single, “I Wanna Love You But I Don’t” (que veio junto com uma b-side “I hope you die first”) vem junto com toda a melancolia escondida na letra do lead, só que dessa vez dando destaque a voz da cantora invés da melodia. Uma balada contagiante misturada com uma guitarra melancólica é o que melhor define o single, o-tornando uma das melhores músicas do álbum. Já a b-side mencionada a cima, é bem uma mistura do tom das últimas duas músicas, algo meio amor soturno. A música foca principalmente na voz de Ashe, que não esgota de técnicas para entreter o ouvinte.

Escolhido pelos fãs, o último single pré-álbum é uma música autobiográfica da vida da cantora, com mesmo nome que seu artístico, “Ashe”. Aqui temos os vocais poderosos de volta, enquanto canta sobre o tempo que estava tentando se amar e se achar na sociedade. Em trechos como (I’m learning to like myself for the first time / Trying to rewrite all the stories that I’ve told), ela mostra sua insegurança para o mundo, após um hiato que tomou por conta de sua saúde mental, de forma explêndida.
Finalmente, no outuno estadunidense, Ashe destrancou as portas para que o mundo ouvisse “Willson” e suas 9 tracks inéditas. A música que abre o álbum, “Please don’t fall in love with me”, é um rock tristonho, que fala sobre sua vulnerabilidade e constante medo de dependência emocional por sempre tentar agradar a todos. A música se destaca pelo ritmos em tantas baladas, mas ainda sim não é um grande acontecimento em “Willson”. De outra forma, o 4º single do álbum, “Pull The Plug” é outra balada melancólica que explora o mundo do amor juvenil, aqueles que parecem ser bons demais para ser verdade, e é uma música bem comercial, uma escolha óbvia para ser single, mas ainda sim não mantendo o padrão de qualidade que Ashe costumava trazer.
Para dar uma acelerada, vou falar sobre as músicas como eu penso sobre elas, que são em duplinhas. A primeira sendo Cherry Trees e Helter Skelter, ambas são tracks mais soturnas, com Cherry Trees falando de um amor antigo que mudou tanto que não é possível ser reconhecido durante uma homenagem as músicas pop de amor clássicas. Já Helter Skelter, segue a mesma pegada de ser uma música melancólica, mas dessa vez é com a guitarra, enquanto Cherry Trees é com violão, entretanto, temos uma música muito mais visceral. Com constante mudança de cenários, um sendo predatório, como em “And all their mesmerized, eagle eyes watched me collapse to the ground” (Eles todos estão hipnotizados, com olhos de águia me vendo colapsar até o chão) e outros sendo introspectivos, como no trecho “Under all of the haze and their gaze, I just needed a place to lie down” (Sobre toda aquela névoa e olhares, precisei de um lugar para me deitar). Mesmo não sendo uma das melhores músicas sonoricamente falando, Helter Skelter é, disparadamente, a melhor composição do álbum.

Sobre “Dear Stranger,” e “Hornet’s Nest”, as duas músicas tem o piano como principal elemento e trabalham em cima do indie pop dos anos 80, como a maior parte do álbum, mas ainda sim conseguem se diferenciar o suficiente para não se tornarem um mix. Durante a primeira música temos mais sobre o hiato da cantora na música, já em “Hornet’s Nest” temos algo para lembrar que o amor não é mil maravilhas. Essa dupla eu colocaria na categoria esquecível junto com a próxima. A dupla final para analisarmos é “Devil Herself” e “Castle”, tratando de temas como amor e auto-descoberta, respectivamente. A penúltima música trás um tom melancólico de saber que alguém que você amou não é mais o mesmo, já “Castle” trata sobre autodescoberta, algo que já foi bem explorado no álbum, e essa música não faz uma adição digna a esse tópico.
Lançado como o primeiro álbum independente da artista, Willson teve recepção boa dos fãs e crítica, com notas indo de 4 a 5 estrelas, dependendo da revista. Mesmo que não tenha gerado um grande burburinho, Willson fez o que a artista mais esperava, uniu sua fanbase para dar apoio e amor ao álbum. Willson pode não ser o melhor álbum do gênero, nem mesmo da cantora, mas ainda sim é um fim agradável para uma trilogia coesa e doce.

